Hoje eu apertei o botão de pause, e pasme, estagnei. Quieta, imóvel, vazia, parei pra refletir sobre as minhas escolhas. Não dizem que são elas que apontam pra onde a gente vai? Pois é, parei pra pensar um pouco nisso. E ai eu reli a minha vida, até o momento de agora. Dei uma dose de paz pra minha alma, lembrei meus amores, enalteci a minha luta, reforcei os meus valores. E com um coração bem mais aberto, maduro e tranqüilo refiz minhas forças, minha fonte e meus favores. Andei regando as minhas folhas, minhas mil faces, limpei a mente, joguei coisas fora, eternizei o que de fato é essencial. Num gole só bebi minhas culpas, meu veneno e uma dose de vinho. Escrevi minhas cartas, quem sabe o meu começo, meu caminho. Estou podando meu jardim, e posso dizer que estou cuidando bem de mim.
Passei um ano inteiro fazendo planos, idealizando uma única opção. Doida que sou, acredite, abri meu leque, escancarei novas alternativas, imaginei outros caminhos. E numa inquietação eufórica me perguntei se adianta fazer planos? Seja qual for o caminho que optarmos seguir, haverá altos e baixos, e isso é uma verdade. Quando a gente para pra pensar na vida, em algum momento vamos nos questionar 'e se eu tivesse feito diferente?' Só que o diferente teria sido melhor e teria sido pior.
Sempre perguntam o que a gente quer ser. Acho que se eu tivesse 5 anos responderia que seria uma princesa. No auge da minha infância a resposta seria outra, um estrela de rock talvez. Na minha rebeldia juvenil com certeza responderia que queria ser hippie. Agora que eu tô grande, querem uma resposta séria. Eu por muito tempo me cobrei uma resposta séria. Mas, quem diabos sabe?
Claro, não é tempo de decisões precipitadas. Mais é tempo de experimentar. Sim, pegar o trem errado e ficar preso em algum lugar. Tentar algo novo, porque não? Descobrir, ou melhor, re-descobrir. Pra mim felicidade é a combinação de sorte com boas escolhas. A gente tem que mudar, nada aqui é permanente e o desvio também pode ser o caminho. Emoção nenhuma é banal se for autêntica. Dar certo não está relacionado ao ponto de chegada, mas ao durante, e o que você faz nele. O prazer está na invenção da própria alegria de saber colorir a rotina, pintar a tristeza, criar coragem de ser, fazer e viver. E não ter medo, errar se for preciso, faz parte. É do erro que surgem novas soluções, os desacertos nos movimentam, nos humanizam, nos aproximam dos outros. Acho que ai sim, quando voltarem a me perguntar o que eu quero ser, não terei que adivinhar, eu vou saber. Com o perdão da palavra: eu quero cair na vida, me jogar por ai.
A gente tem mesmo é que curtir as nossas escolhas e abandoná-las caso for preciso, mexer e remexer na nossa trajetória, alegrar-se e sofrer, acreditar e descrer, que lá adiante tudo se justificará, tudo dará certo. É que pra mim, não existe vida errada. Que seja doce, beijo.
Vaaan
