A semana inteira foi assim, durante as manhãs agitadas no Cti, e durante a volta pra casa de todas as noites, era só falar de destino que todo mundo tinha uma história incrível pra contar.
Todo mundo, inclusive eu. Minha vida é dada por momentos cinematográficos, mesmo com poucos 19 anos nas costas. Costumo não planejar muito os meus passos, mas procuro seguir sempre o caminho mais correto. Ás vezes faço as coisas á toa, na maioria das vezes não tenho planos B, C e D. Prefiro fazer por onde a esperar que um raio caia. Não penso muito no que eu devo ou não sentir pra evitar sofrer, as vezes acredito, mais nem sempre boto fé no ''o que tiver de ser será''.
Ou a gente faz acontecer, ou nada acontece. É, parecia uma boa filosofia. Mas daí comecei a ouvir as histórias. ''Teve aquela vez em que...'', e lá vinha uma coincidência inacreditável, uma sorte impossível, um encontro com sinos, borboletas no estômago e alegrias instantâneas. Esse é o negócio sobre as histórias.
Elas fazem você repensar a vida. E foi ai que eu fiquei olhando a minha, de repente cheia de emoções, planos, realidades, sonhos realizados, metas - poxa, tudo me acontece! O que me levou a pensar em: onde está toda a mágica? E não precisou mais do que alguns segundos pra eu confirmar: está em toda parte.
Logo me veio a infância no pensamento. Sabe, sinto falta de verdades inquestionáveis como naquela época. De tanto nos dizerem que não dá, não pode, não existe, desaprendemos a imaginar o impossível. Passamos a duvidar dos sonhos, cheios de preocupações, práticas e autocensuras. Ainda bem que eu continuo tendo essas verdades inquestionáveis, ainda não perdi e espero não deixar virar nada esse brilho nos olhos igual de criança que eu carrego nos meus.
Sabe, os meus pais cresceram a muitos quilomêtros de distância um do outro, eram solteiros decididos, sem ter nada em comum além de uma vogal no nome. Conheceram-se no saguão de um prédio, ele virou professor dela e... Minha mãe era 14 anos mais nova do que ele. Repara na mágica: nada disso impediu eles de viverem e construirem tudo o que são hoje. Decidiram então se casar, moraram separados por muito tempo, e depois de várias tentativas para engravidar, veio eu. Comparam a nossa casa e estão aqui a 24 belos anos de casado. Garanto que eles passaram por muitos momentos de sufoco, tiveram várias brigas, momentos apaixonados, felizes, tristes...
Eu cresci, e aos 14 anos ouvi pela primeira vez da minha mãe que a gente não ganhou bônus algum. E isso virou lição pra toda vida. A idéia era se jogar nos braços do desconhecido, sem receios ou medo. E foi assim que eu conheci as melhores pessoas, firmei amizades que posso sim considerar pra toda vida e vivi os momentos mais intensos e felizes da minha vida.
Os acasos na minha vida sempre são os mais surpreendentes. Várias vezes mudaram tudo de um minuto para o outro. Vou confessar: adoro isso! Não suporto o cotidiano racional por muito tempo. Eles aconteceram, assim como na sua. A gente espera reconhecê-los na forma de eventos espetaculares, como ser sorteado na loteria ou se apaixonar á primeira vista. Mais quer saber?
Na verdade, me parece que as manifestações mais extraordinárias e frequentes do aleatório em nossa existência são na forma de pessoas. Que chegam como quem não quer nada. Mas, se aproveitamos o instante pra transformá-lo em algo maior, essas pessoas ficam... a ponto de parecerem que sempre estiveram por perto e esquecermos que incrível sorte foi encontrá-las.
O acaso, me dei conta, não é o ponto alto da história, é só o começo dela. As pessoas que amo não estão aqui porque planejei. Elas aconteceram. Não há mágica maior. O que sempre me rende casos fantásticos. É parte da história da minha vida. E hoje, ao contrário de todos os sábados quase planejados vivi um dos melhores dias, que com certeza entrará para a lista de histórias inesquecíveis.
Perdi a hora e não fui pra aula, mais sai pra caminhar as 7:15 da manhã com passarinhos cantando alegres. Descartando esses que gritam o próprio nome, não sou capaz de reconhecer nenhuma espécie. Tampouco sei se estão marcando território, anunciando algum perigo, cantando uma passarinha ou só treinando, só sei que é divertido. Não entendo nada que eles me assoviam, mais é uma grande emoção. Na padaria encontrei alguém especial que não via a muito tempo e em 5 minutos de conversa deu pra matar as saudades e acrescentar uma boa dose de alegria na minha manhã.
Estudei a manhã inteira, almoçei e como ultimamente sei lá o que me dá, não consegui comer direito, passei mal, e por esse motivo preferi não comer nada mesmo. De tarde assisti um filme desesperadamente inspirador, comi pipoca e dei muuuiiiita risada com a minha mãe. Depois de ficar horas no telefone com a Su e com a Lari, parei pra pensar mais um pouquinho na vida e foi ai que me veio a idéia mais abençoada de todas. Não, eu não vou comentar aqui, quem tem minha verdade sabe, isso basta.
No final na tarde a Lari veio aqui e como de costume conversamos sobre o que mais gostamos e trocamos vários conselhos, uns bons e alguns nem tanto assim. Mais foi incrível. Depois fomos no aniversário do Egih e como sempre me diverti demais, com direito a perforance de Single Ladies e conversas realmente importantes.
E no final da noite voltei pra casa sozinha adimirando o céu claro e repensando no rumo que teve meu dia, com uma paz inquestionável dentro de mim.
Espero que isso inspire você a valorizar mais o que não está nos planos. E a reconhecer toda a mágica que esquecemos de admirar. Um beijo!
